TV Escola. Programação especial no Dia da Consciência Negra

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TV Escola. Programação especial no Dia da Consciência Negra

O Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, homenageia um personagem histórico na luta do negro contra a escravidão. Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, que morreu em combate pela defesa de seu povo. Expressão da resistência ao sistema escravista e de preservação da cultura africana no Brasil, os quilombos e Zumbi são parte importante e emblemática da história brasileira do período colonial.

Em celebração à data, que marca o dia da morte de Zumbi de Palmares, no ano de 1695, a TV Escola preparou uma programação especial: são documentários, séries e entrevistas que destacam a reflexão sobre a importância do povo africano na formação de nossa cultura.

Dirigido pelo cineasta Sandro Lopes, o documentário “O lá e o aqui” dá voz a estudantes estrangeiros que vieram ao Brasil com o objetivo de complementarem seus estudos e pesquisas. São jovens oriundos de diversos países do Continente Africano que se lançaram numa aventura em terras brasileiras. Longe de seus hábitos, costumes, valores, familiares e de suas redes de proteção; depositaram sonhos, expectativas, energias em um Brasil idealizado.

Os registros do documentário incidem sobre o “mito da democracia racial”, o qual, apesar do reconhecimento do racismo na sociedade brasileira, persiste trazendo inúmeras contradições para um projeto antirracista no Brasil. Com 22 minutos de duração e finalizado em setembro deste ano, “O lá e o aqui” estreia às 20h na programação especial da TV Escola do Dia da Consciência Negra.

O Salto para o Futuro também terá um episódio produzido especialmente para a data, propondo uma reflexão sobre as origens do racismo no Brasil. No Dia Nacional da Consciência Negra, o Salto para o Futuro, com exibição às 19h, discute como o racismo afeta as relações em nossa sociedade. Mais que isso: o programa viaja na história das relações étnico-raciais para propor caminhos que deixem para trás toda e qualquer forma de discriminação racial. Os convidados são Frei Tatá, da Ordem dos Frades Menores, e Claudielle Pavão, professora de história e integrante do Coletivo Intelectuais Negras, que também analisam o papel da escola quando o assunto é a valorização da diversidade que forma a identidade do povo brasileiro.

Museus, Pelourinho e Hora do Enem

O Enem 2017 já terminou. Mas, enquanto os milhões de estudantes aguardam o resultado final, vamos conferir um episódio especialmente montado para o dia 20 de novembro e com a participação de professores que debatem a questão do negro no Brasil e as inúmeras colaborações nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos para a formação da cultura afro-brasileira. Hora do Enem Especial, com exibição às 7h, 13h e 18h.

Parte da série Conhecendo Museus, o especial Museu Afro Brasil também é destaque na programação do Dia da Consciência Negra. É em meio à valorização da história africana e afro-brasileira que nasce, em 2004, o Museu Afro Brasil. O contraste do verde e do cinza da capital paulista cercam o museu que abriga mais de 5 mil obras, sendo 2.163 doadas pelo artista

plástico Emanoel Araújo, que teve a ideia de criar o museu e hoje é seu curador. Um sonho realizado por esse baiano para contar a história de um povo sofrido, mas que soube vencer com dignidade. Exibição às 17h.

Um dos maiores símbolos da Bahia, situado no centro histórico de Salvador, o bairro do Pelourinho é um dos programas da série Arquiteturas, que a TV Escola exibe no dia 20, às 17h30. No dia que homenageia e celebra Zumbi dos Palmes, o episódio destaca o rico o rico estilo colonial português do Pelourinho e da Igreja de Santo Antônio Além do Carmo, que remontam às influências árabe e moura do período de ocupação da Península Ibérica. Com a revitalização de 1985, problemas como a realocação dos moradores e alteração de parte da arquitetura original foram, e ainda são, objeto de discussão entre os que defendem a modernidade e os que buscam preservar a paisagem arquitetônica. Entrevistados nesse episódio: o artista plástico Washington Arléo e o cineasta Paulo Marques.

A programação da TV Escola inclui ainda uma animação baseada em uma lenda africana sobre a história de um menino que perde a mãe. Ela se transforma em um instrumento antecessor do berimbau, chamado Hungu. Sua música trará força e vida ao filho quando ele se tornar um homem. Hungu terá exibição às 20h25.

“Mulher, o Pilar Africano” é um documentário que usa a economia o pano de fundo para tratar da questão de gênero na África, onde as mulheres respondem por quase a totalidade da produção e não detém absolutamente nada da riqueza desses países. O quadro é mais assustador quando envolve questões de saúde e de abuso sexual. Participação da ganhadora do Prêmio Nobel da Paz Wangaari Maathai e de seu Movimento Green Belt, que paga por muda de árvore plantada por mulheres, baseando-se na atuação e na solidariedade das mesmas para gerar renda e promover a sustentabilidade, reflorestando parte da África. Exibição às 20h30.

Para encerrar esse dia especial em homenagem à história e cultura negras no Brasil e no mundo, a TV Escola exibe, às 21h30, o documentário “9º andar” sobre o protesto contra a discriminação racial na Universidade Sir George Williams, em Montreal, Canadá, no ano de 1969. O ato teve início com o tratamento preconceituoso adotado por um professor de Biologia em relação a alunos caribenhos. Indignados com a situação, eles pressionaram a administração para que fossem tomadas medidas punitivas. A inércia da instituição levou os alunos a adotarem determinadas medidas que tomaram grande proporção. Quatro décadas depois, o vídeo reabre os arquivos desse incidente que foi divisor de águas nas relações raciais dessa nação.

Roquette Pinto