Nota de esclarecimento sobre o cancelamento unilateral do contrato da TV Ines com a Acerp

Home Roquette PintoNota de esclarecimento sobre o cancelamento unilateral do contrato da TV Ines com a Acerp
COMUNICADO

Nota de esclarecimento sobre o cancelamento unilateral do contrato da TV Ines com a Acerp

Nota de esclarecimento sobre o cancelament...

Leia na íntegra

Nota de esclarecimento sobre o cancelamento unilateral do contrato da TV Ines com a
Associação de Comunicação Roquette Pinto (Acerp).

1 – Em primeiro lugar, agradecemos a parceria de 8 anos com o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines). Criamos, orgulhosamente, junto com o Instituto, a primeira e única TV 100% acessível para surdos do Brasil e uma das quatro do mundo, com intérpretes em Libras – Língua Brasileira de Sinais.

2 – Afirmamos o nosso respeito e admiração pelo Paulo Bulhões, o segundo presidente surdo na história do Instituto, e o primeiro na República. O anterior foi na época da fundação do Ines, durante reinado de Dom Pedro II.

Bulhões vem fazendo um trabalho sério e honesto a favor da Comunidade Surda.

3 – Lembramos que, pela primeira vez em 8 anos, tivemos uma gestora surda. E pela primeira vez também exibimos o conteúdo da TV Ines em canal aberto.

4 – Aproveitamos para agradecer à Primeira-Dama, Michelle Bolsonaro, a longa e importante entrevista que concedeu à TV Ines, quando se posicionou a favor e se colocou à disposição da Comunidade Surda.

5 – Esclarecemos que o fim do contrato da TV Escola com o MEC, em 2019, prejudicou significativamente a operação da TV Ines. O Instituto é ligado diretamente ao Gabinete do Ministro da Educação.

6 – A TV Escola sempre deu suporte técnico e financeiro à TV Ines.

Basta dizer que o atual contrato era de R$ 8 milhões por ano para produzir e veicular uma emissora 24 horas por dia, com jornalismo diário, legendas e intérpretes em Libras. Uma missão dificílima de cumprir. Vale ressaltar que esse valor de R$ 8 milhões anuais é aquém dos custos de produção de uma emissora de qualidade como a TV Ines. Basta comparar com os custos de outras emissoras públicas e privadas em operação no Brasil.

7 – Para se ter uma comparação de valores, a TV Brasil custa R$ 550 milhões ao ano. Portanto, a TV Ines era 68,75 vezes mais barata.

8 – Nos últimos meses, o Ines não pagou a parcela mensal completa, isto agravou os problemas, levando a mais atrasos à equipe.

9 – Diante da legítima reclamação da equipe, o Ines decidiu rescindir o contrato.

10 – Ficamos sabendo do cancelamento do contrato pelas redes sociais. Só depois cobrarmos uma posição foi que o Ines nos comunicou oficialmente.

11 – Na nota pública, Bulhões deixa claro que o sinal da TV vai sair do ar e afirma que a decisão foi baseada em “respeito a probidade administrativa”. Ele preferiu, pelo menos por enquanto, se ater a estas questões contratuais que poderiam ser superadas. Respeitamos a sua decisão, mas definitivamente não concordamos.

12 – Desde o rompimento do contrato com o MEC, a TV Escola vem lutando para garantir ensino gratuito, capacitação de professores, e preparar para o Enem milhões de estudantes brasileiros durante a pandemia em 2020 e 2021.

13 – Assim como qualquer empresa ou instituição brasileira, estamos enfrentando problemas. Agora em 2021 foi que firmamos novas parcerias públicas e privadas para cumprir a nossa missão centenária de “levar Escola para quem não tem Escola”, como dizia nosso fundador na década de 20 do século passado, Edgar Roquette Pinto.

14 – Propomos ao Bulhões uma transição mais suave para a TV Ines não sair do ar neste período e não demitir os funcionários sumariamente, dando um prazo para eles voltarem ao mercado, especialmente os surdos, que têm mais barreiras para se reposicionar.

15 – E estamos insistindo ainda, até hoje, para uma transição profissional.

16 – Importante registrar que a Roquette Pinto sempre prestou serviços além do que estava no contrato com o objetivo de atender todas as demandas da Comunidade Surda.

17 – A Roquette Pinto, mesmo enfrentando dificuldades, vai voltar com a TV Ines no ar e em todas as plataformas digitais de distribuição, gratuitamente, assumindo todos os custos, até que o Ines faça uma nova licitação e tenha condições de produzir e veicular o canal. Se o Ines puder contribuir com estes custos, vai ajudar bastante.

18 – A TV Escola vai manter no ar um programa exclusivamente para os surdos em nível nacional.

19 – Independentemente das obrigações contratuais, a Roquette Pinto vai enviar o restante de todos os conteúdos produzidos, pois ao longo dos 8 anos de parceria, o conteúdo foi mensalmente enviado ao Ines, junto com os relatórios. Sendo necessário, entregaremos novas cópias.

20 – A memória deste maravilhoso projeto pertence, na verdade, à Comunidade Surda e não ao Ines, muito menos à Roquette Pinto.

21 – Lamentamos profundamente a demissão destes excelentes profissionais e pedimos desculpas para a Comunidade Surda pelo triste desfecho, que poderia ter um destino bem diferente. Esperamos que com a nossa decisão de bancar a TV temporariamente possa atendê-los em suas necessidades.

Atenciosamente;

Francisco Câmpera, Diretor-Geral da Acerp